terça-feira, 25 de agosto de 2009

IV

E se ...

- mais uma palavra, só mais uma.
- se tivesse dito quando me perguntou, seria diferente hoje ?

Perguntava-se silenciosamente enquanto dirigia a caminho da cidade, enquanto lembrava constantemente do rosto dele.

Estava preste a explodir, como estava naquele dia.
- um ano ... - murmurou.
Um ano de quê ?

De palavras.
Confuso pra você ?

Talvez pra ela não, palavras em sua opinião é a arma mais importante do ser humano.
Com ela se começa e acaba uma guerra, com elas se faz a paz, o amor e o ódio.

As palavras dele a tem motivado, as vezes a alegria, as vezes ao desespero.
A um abismo entre o sim e o não.

A sua completa felicidade ou ao convite a solidão.

III

Acendeu o cigarro.
E junto com todas aquelas substancias, tragou sua solidão.

Que consiste em suas tardes ouvindo música sozinha e acordando ao lado de ninguém .
E ela pensa - as coisas não são como eram antes .

Com toda a certeza não, muitas pessoas se foram, algumas ainda irão.
Mas existem aquelas que não podem ir, a amiga e seu amigo oculto.
Ela o chama assim, porque ela o ama e tem medo de perde-lo, por ele ser seu amigo.

R. sua amiga-irmã, é aquela que liga sempre, a que anima, que enxuga as lágrimas de seu rosto e dá o melhor abraço que alguém poderia receber.
Já o seu amigo oculto, é o amigo que ela sempre quis, tudo o que ela sempre sonhou.
Mas é secretamente tudo isso, pois o medo dela é que ele vire mais uma lembrança dolorosa em seu diário.

Foi até a cozinha pegar um pouco de café, sentou -se na varanda e olhou para o céu.
Era um dia nublado, estava frio, do jeito que ela mais gostava.

Um dia frio, como aquele dia tenso de novembro.
Ela se lembra, e ele ?

lembranças II

E ela acordou.
Daquele sonho que parecia nunca acabar.
Mas o sonho que ela tem de acordar é o mais difícil.
É aquele que se vive, o que ilude.


Colocou as mãos no rosto, pensando como seria mais um dia sem ver o rosto de quem ela quer tanto ver.
Imaginando como seria se estivesse por perto, como seria o simples bom dia ou tchau no final na tarde.
Lembrou-se que as lembranças são difíceis e doloridas.
De como dói lembrar do que passou e saber, sentir que não voltarão mais.

Sentou-se na cama, pegou o diário e começou a rabiscar as memórias que não tinha escrito no devido dia, por esquecimento ou por euforia.
Videou algumas páginas do começo do ano, viu fotos, pensamentos e frases e pensou - amadureci tanto assim em menos de um ano ?

Mas percebeu que tem coisas que não são escritas, que são sentimentos momentânios.
Como a lágrima que escorreu ao pensar que tudo daria errado, ao pensar que todos iriam embora.
E por fim sorriu, porque viu que estava nas primeiras páginas de um ano que estava a se passar, e, como de costume lembrou-se que tudo estava apenas começando e que literalmente aqui se tornou apenas mais uma página virada de seu velho diário.